» Actualidade

»Entrevistas
» Estatutos
» Agenda
» Opinião
 

 

 

 

 

LINKS

 

 

 

 

 

 

 

O pensador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

| | | | | || Home| | Web Master | Angola | Desporto | Agenda | Cultura | Fotos | | | | |
Se Informar

PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR O HOMEM

Dizia: Mfulumpinga Nlandu Victor

“Um carneiro preto” ao Palácio federal"

Antigo requerente de asilo, Ricardo Lumengo foi eleito no Conselho Federal nas eleições de Outubro. Vindo de Angola em 1982, Lumengo vai representar o cantão de Berna.
Segundo Africano a sentar no Parlamento suíço, vai defender os valores socialistas e comprometer-se em especial contra a exclusão dos mais fracos. Retrato do
percurso de Ricardo Lumengo, tem algo “de um success story”. Um destes percursos semeados de obstáculos que permitem um homem de afirmar-se, como desgosto dos seus adversários políticos, à União democrática do centro (UDC, direita nacionalista) em cabeça.

Suíça, 12.2007; Chegou na Suíça como requerente de asilo há 25 anos, este Angolano de origem com efeito foi eleito em Outubro passado para representar o cantão de Berna sob a Cúpula federal. Foi no fim de uma campanha eleitoral cuja virulência fez de vazar muita tinta e suscitou a apreensão até na imprensa internacional.

“O golpe de pé dado ao carneiro preto era tanto violento que projectou Ricardo até ao Palácio federal”, resume Alain Sermet, membro socialista do Parlamento da cidade de Bienne e colega do partido de Ricardo Lumengo.

Para qualificar a campanha de UDC e o cartaz sobre o qual carneiros brancos expulsavam um carneiro preto do território suíço, o novo eleito tem apenas uma palavra: “Desgosto”.

Desconfiança e criminalidade

Um qualificativo que solta com seriedade, da mesma maneira que confia moderadamente que a campanha foi “pesada” a viver e que tem-o “muito tocado”. Os que estão de lado a lado em política não se mostrarão surpreendidos desta retenção. Os Caracteriza, ele que confia ter decidido vir tentar a sua sorte na Suíça, “porque era possível viver discretamente.”

Fujindo dum país onde fazia parte da ala crítica do partido no poder, o MPLA (Movimento de liberação da Angola, antiga colónia portuguesa), Ricardo Lumengo primeiro tem procurado refúgio em Portugal, onde contudo não se sentia em segurança. Para poder prosseguir as suas actividades políticas fora do seu país e lutar por o restabelecimento da democracia em Angola, finalmente tem pedido o asilo na Suíça.

“É claro que se chegasse hoje, não faria o caminho que fiz. Na época, havia a possibilidade de trabalhar para os requerentes. As barreiras administrativas eram menos numerosas”, explica. Se guarda uma imagem “formidável” da Suíça de então, confessa no entanto que esta “alterou ligeiramente” com os anos.

“As pessoas estavam mais abertos. Quando fazia a autoparagem por exemplo (pedir boleia), parava-se facilmente e fazia-me perguntas sobre a África. Hoje, um jovem Africano ao bordo de uma estrada suscita antes a desconfiança, por razões ligadas à criminalidade”, testemunha o novo eleito, naturalizado suíço em 1997.

Contra o desemprego dos jovens

Proprietária de um restaurante à Ulmiz onde Ricardo Lumengo trabalhou para pagar os seus estudos de direito à Universidade Fribourg, Heidi Trachsel recorda-se dele como alguém “de engraçado, gostando da vida e muito inteligente”. E fazer referência à rapidez com a qual aprendeu o dialecto alémanique, que domina hoje como oito outras línguas, das quais três africanas.

“Tenho contactos com ele sobretudo por meio do Correio socialista. Escreve de vez em quando, como os outros membros, e traduzo estes textos em alemão. Ora ele chegou de corrigir as minhas traduções”, conta Niklaus Baltzer, presidente do PS da Cidade de Bienne.

A Bienne, cidade bilingue onde trabalha nomeadamente para o centro de integração intercultural Multimondo, Eleito no Parlamento da cidade desde 2005 e os Legislativos do cantão de Berna desde 2006 - de dois mandatos que abandonará para consagrar-se à sua nova função - Ricardo Lumengo insiste na sua vontade de defender a sua região no Parlamento federal.

Ao capítulo dos seus combates políticos, cita além disso a formação, a simplificação do acesso ao ensino, a delinquência e o desemprego dos jovens, incluindo os que seguiram estudos superiores. “É necessário melhorar as relações entre o mercado do emprego e o ensino”, defende, consciente que qualquer experiência da exclusão pode ter de destruidor.

A primeira Africana em Berna

Favorável aos contratos de integração, de partidário do multiculturalidade, Ricardo Lumengo lamenta “a utilização política do tema “estrangeiros” e o contexto sóciopolítico que decorre.”

Uma maneira de regular as suas contas com o seu único inimigo declarado, do Partido da liberdade (PdL) de Jürg Scherrer, chefe da polícia na Cidade de Bienne.

Recentemente, o Tribunal supremo de Berna condenou o PdL, que tivesse desviado o endereço de Internet www.lumengo.ch sobre o seu blog, onde o socialista preto era objecto de vivas críticas.

À época onde “Blocher chamava-se Schwarzenbach” e onde as mulheres acabavam de obter o direito de voto e de elegibilidade, em 1971, Tilo Frey quanto a ela tivesse sido a primeira Africana de entrar ao Palácio federal sob as cores do partido radical.
Ricardo Lumengo, aconselha “não se ocupar dos prejuízos raciais, fazer o melhor possível de acordo com seu honestidade e sempre sorrir. Porque o cão ladra e a caravana passa! ”, recorda desejando-lhe melhor.

swissinfo, Carole Wälti

Noticia Internacional
Copyright © pdp-ana
Ricardo Lumengo, um deputado em Erva determinado levar o debate ao Parlamento Suíça