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PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR O HOMEM Dizia: Mfulumpinga Nlandu Victor |
JOHANNESBURG; As reservas petroleiras da África, limitadas em relação as do Médio Oriente, correm o risco de esgotar-se sem que os países produtores ponham estas riquezas ao serviço do seu desenvolvimento, avisaram peritos reunidos em Johannesburg. Uma vez os rendimentos do petróleo perdidos devido à corrupção e a má governança, a oportunidade passou e não retornará, sublinhou Diarmid O' Sullivan, da ONG Global Witness, aquando de uma conferência esta semana ao Instituto sul-americano para os negócios internacionais (SAIIA). A riqueza
petroleira pode ser ligeiramente tóxica, como o álcool.
Se não se tem uma constituição sólida ela
tende-se a tornar-vos instável, acrescentou. Um país
como a Angola, segundo exportador de petróleo da África
e cujo crescimento excede hoje de longe a de todas as economias do continente,
dispõe por exemplo de reservas provadas com menos de 20 anos
de produção ao ritmo actual. Ora o nível
de vida médio nos países produtores de petróleo
é frequentemente inferior ao dos seus vizinhos. Assim a Angola é primeiro importador mundial de veículos todo-terreno de luxo enquanto que 70% da população do país, destruído por 27 anos de guerra civil, vive numa extrema pobreza com menos de um dólar por dia, sublinhou Alex Adicionar Vines, responsável para a África do Instituto real britânico para os negócios internacionais. O país, independente de Portugal desde 1975, aproxima os dois milhões de barris por dia. É também um dos principais fornecedores da China e a sua economia em cheio crescimento, que em troca contribui para a reconstrução das infra-estruturas. O orçamento nacional de Angola é considerado à cerca de 31 mil milhões de dólares e no entanto a mortalidade infantile (menos de cinco anos) é o segundo mais elevado ao mundo, Crescentou Vines. Na Guiné Equatoriale, onde 80% do rendimento nacional vai à 5% da população de acordo com as Nações Unidas, as despesas sociais, nomeadamente para a saúde e a educação, diminuem enquanto que a riqueza aumenta-se, Comentou. Mesmo à Nigéria, primeiro produtor da África onde progressos notáveis foram realizados em termos de transparência e luta contra a corrupção, a pobreza toca 70% da população contra 30% em 1970, de acordo com ele. A Nigéria juntou-se no grupo de países exploradores de recursos naturais para a transparência, uma iniciativa internacional que visa forçar as empresas extractrices a publicar que pagam e o governo que recebem. Correctamente geridas, os recursos naturais podem constituir uma verdadeira possibilidade para a África, mas é urgente que os países produtores, nomeadamente de petróleo, diversificam as suas economias, avisa Vines. A África não é a Arábia Saudita. O petróleo é limitado na África subsariana, insistio o perito. De acordo com o
presidente do SAIIA, Fred Phaswana, os sinais de democratização
na República democrática do Congo, em Sierra Leoa e na
Libéria dão razões de ser prudentemente optimistas. As antigas potências coloniais são postas cada vez mais ao desafio sobre o continente africano pelas economias emergentes de gigantes como a China, a Índia ou o Brasil, nota Phaswana. O que não é ainda claro, é saber qual será o impacto em termos de governança e de conflitos.
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