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PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR O HOMEM

Dizia: Mfulumpinga Nlandu Victor

DESARMAMENTO DA POPULAÇÃO CIVIL É UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA

Luanda; O comandante da segunda divisão de Polícia, primeiro super-intendente Aristófanes dos Santos afirmou hoje em Luanda que a campanha de desarmamento da população civil em curso não deve ser circunscrita às próximas eleições legislativas de Setembro.

Aristófanes dos Santos considera que o mais recente seminário internacional sobre o desarmamento da população civil trouxe uma boa base para se efectivar esta tarefa de facto junto da população angolana.
Considerando um processo que se prolongará infinitamente no tempo, o comandante da segunda divisão de Polícia disse ter nas eleições apenas um ponto referencial, pois a convivência sã e pacífica numa sociedade só é possível num clima de paz total.

«As eleições são uma referência de facto mas o desarmamento não pode ser condicionado às eleições, eu acho que é preciso aclarar bem este aspecto. O importante é que as pessoas tenham plena noção de que não devem ter uma arma de fogo em sua posse.»

O oficial superior da Polícia angolana recordou que é ilegal a posse de armas por parte de civis mas é mais grave ainda o risco para a segurança própria e de outrem, uma vez que as estatísticas indicam que há sempre o concurso de uma arma de fogo legal ou ilegal em cada crime cometido.

Aristófanes dos Santos, que reconheceu haver ainda um certo cepticismo nalguns sectores da população em relação à capacidade da Polícia garantir a segurança das pessoas e dos seus bens, sublinhou a necessidade do engajamento da sociedade nas questões de segurança pública com actos como a entrega voluntária das armas, porque a sua posse representa o inverso de mais segurança.

«Nós temos um exemplo vivo desta paróquia onde cidadãos fizeram a entrega de cinco armas de fogo. Nós fomos contactados e viemos buscar e verificamos a responsabilidade de todos nós relativamente ao problema do desarmamento não só por causa das eleições ou da iminência ou não de um conflito, mas é um problema de segurança pública que é de cada um de nós.»

Para lá deste aspecto, e porque de armas se pode falar daquelas brancas e de arremesso, Aristófanes do Santos resumiu em poucas palavras o que deve configurar o acto de desarmamento.

«É preciso desarmar as nossas próprias consciências. É preciso que cada pessoa tenha a ideia concreta de que não deve ter uma arma.»

O oficial da Polícia dissertou sobre «O desarmamento da população civil» no primeiro Congresso Pro Pace Arquidiocesano de Luanda organizado pela Conferência Episcopal de Angola e São Tomé que decorre até sexta-feira próxima.

Em debate estarão as eleições, liberdade de imprensa, género, cidadania, desarmamento da população civil, oposição e alternância do poder bem como direitos humanos, temas todos relacionados com a democracia.

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