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PARA MUDAR O MUNDO É PRECISO MUDAR O HOMEM Dizia: Mfulumpinga Nlandu Victor |
Diante das denúncias crescem as suspeitas de que uma manobra no mínimo "estranha" está a ter lugar Correia Júnior Exemplo vivo é o que está a acontecer em algumas zonas agrícolas de Viana, concretamente nas zonas dos postos de alta tensão, arredores do Zango. No último final de semana a comissão de moradores do bairro Kunga reuniu com os camponeses, para segundo os agricultores, alerta-los para a necessidade de legalizarem as suas parcelas de terra. Para efeito, tinham
que apresentar o cartão de eleitor ao coordenador do bairro,
que deveria ficar retido a partir do momento. "É ordem do
coordenador, nós apenas cumprimos com esse procedimento porque
estamos interessados em legalizar as nossas parcelas", explicou.
Guilherme António,
um dos participantes da reunião, salientou que a iniciativa,
apesar de ser contra os princípios legais, pode incentivar algumas
pessoas a cumprirem com os seus direitos e deveres, tendo revelado ainda
que este processo está a ser conduzido por elementos afectos
ao comité de acção do MPLA no bairro. Ainda naquela
zona, apuramos que há um número determinado de populares
que conseguiram obter o Bilhete de Identidade através do cartão
de eleitor, uma informação que não foi possível
confrontar junto do responsável pelo sector no município.
O mesmo acontece
com alguns estabelecimentos escolares que exigem que os alunos apresentem
o cartão eleitoral para marcar o exame. Um caso concreto é
o que se está a passar na escolinha Verdinha, no bairro Novo,
município de Viana, onde a direcção da escola,
há um mês, recolheu os cartões de eleitor dos alunos
com a desculpa de que os iria fotocopiar. "O processo é
obrigatório", explicou a fonte. Com que direito os gestores
desta instituição fazem isso? Situações
do género estão a acontecer no colégio Santa Fé,
sito no bairro Ngangula, município de Cacuaco. Segundo os alunos,
os professores alegam que é ordem da direcção que
todos os alunos entreguem os cartões de eleitor para serem fotocopiados.
Para o mesmo, o sentido de obrigatoriedade que o legislador angolano pretendeu dar à lei não abrange qualquer sanção ou penalização, que vá além de privar o cidadão de votar. "Há países em que o registo é de facto obrigatório, como o Brasil, por exemplo, em que as pessoas ficam privadas de muita coisa se não tiverem o cartão de eleitor. Acredito que no futuro possamos adoptar medidas, não tão drásticas, mas que se assemelham a essa, porque pretendemos dar a maior importância possível ao cartão de eleitor", explicou. Entretanto, a fonte aconselhou a todos quantos se depararem com situações do género a denunciar junto da Comissão Executiva Eleitoral mais próxima.
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